‘Revista Universidade’: Participação da mulher na política e a questão de gênero

É inquestionável a participação das mulheres no mundo político. Várias delas estão exercendo altos cargos no poder público e controlam – ou controlaram – as mais importantes nações do mundo, como a Inglaterra, a Alemanha e o Brasil. No entanto, o domínio masculino nos espaços de decisões que atingem todo um território nacional é visível e difícil de ser rompido. Colocando a lupa sobre o mapa para abordar essa questão no Espírito Santo, a socióloga Dayane Santos de Souza apresenta a trajetória e o papel de 10 mulheres representantes do Estado na política, nos cenários local e nacional.

As desigualdades de gêneros em diversas sociedades, sejam elas atuais sejam antigas, ainda colocam as mulheres em posições inferiores aos homens. Essa desqualificação se percebe nas artes, na filosofia, na religião e na ciência. No livro “O Martelo das Feiticeiras”, escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, por exemplo, as mulheres eram consideradas como símbolo do mal, um ser imperfeito que engana sempre.

A alegação dos inquisidores é que houve um “defeito de fabricação” da primeira mulher, pois foi formada por uma costela de peito de homem, que é torta. Por isso que elas são consideradas seres inferiores aos homens. Nem mesmo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) poupou o sexo feminino. Para ele, a mulher é um ser inferior, de ancas largas, ombro estreito, cabelos grandes e mente curta.

Mas essa inferioridade social das mulheres e sua subordinação aos homens aos poucos estão mudando, principalmente na política. Era impensável, até há pouco tempo, que mulheres iriam assumir o poder político de seus países, exercendo cargos nas mais altas esferas do poder. Algumas foram eleitas presidentas, outras primeiras-ministras, como Angela Merkel (Alemanha), Benazir Bhutto (Paquistão), Cristina Kirchner (Argentina), Dalia Grybauskaite (Lituânia), Dilma Rousseff (Brasil), Elen Johnson Sirleaf (Libéria), Indira Gandhi (Índia), Laura Chinchilla (Costa Rica), Margaret Thatcher (Reino Unido), Michelle Bachelet (Chile), Tarja Halonen (Finlândia) e Theresa May (Reino Unido).

No Brasil, apesar do cargo máximo da República já ter sido ocupado por uma mulher, a participação feminina na política ainda é pequena. No Espírito Santo, a situação não é diferente. Nas eleições de 2014, nenhuma mulher foi eleita deputada federal pelo Estado. Porém, atualmente, com a eleição do deputado federal Max Filho para a Prefeitura de Vila Velha, em 2016, a suplente Norma Ayub Alves assumiu o cargo em Brasília para cumprir o restante do mandato, até janeiro de 2019, sendo assim a única representante capixaba feminina na Câmara dos Deputados.

No Espírito Santo há 78 municípios, mas apenas quatro prefeitas. Na Assembleia Legislativa (Ales), das 30 cadeiras disponíveis, as mulheres ocupam somente quatro. Quanto às câmaras municipais, o predomínio também é dos homens. As mulheres correspondem a apenas 9% dos plenários das câmaras municipais, enquanto os homens, 91%. Na capital do Estado, Vitória, há apenas uma representante do sexo feminino.
No Brasil, apesar de as mulheres representarem 51,7% do eleitorado, dos 513 deputados federais, apenas 55 são mulheres, o que equivale a 10,7% do total. No Senado, entre 81 parlamentares, temos apenas 12 mulheres (14,8%), sendo uma delas capixaba. Em um ranking divulgado pela União Interparlamentar, em 2017, o Brasil está na 151ª posição entre 190 países com relação à ocupação de mulheres nos parlamentos.

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Texto: Jorge Medina

 

 

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